Villas-Boas deixa mensagem importante aos Sportinguistas

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Villas-Boas garante: “Fora do campo o FC Porto continua a ter de travar, diariamente, um combate contra uma sucessão de insinuações e narrativas fabricadas, que tantas vezes se afastam da isenção, do rigor e da deontologia que devem orientar quem informa, interpreta e comenta o fenómeno desportivo.

Villas-Boas deixa mensagem aos sportinguistas

Frases como:

 

– ‘Aquela reação do Francisco Moura quando viu que era pénalti vale…’

 

– ‘Se calhar Francisco Moura também quer ser apanha-bolas’

 

– ‘O Porto parece, para aí, uma equipa da 4.ª Divisão que está a jogar no terreno do Real Madrid e que está a queimar tempo’;

 

São sintomas de uma cultura que normaliza o desrespeito, que promove o escárnio e que tenta desumanizar quem representa o FC Porto. Tudo isto dito com uma leviandade que não é inocente, nem é acidental. É parte de um padrão: um padrão que procura criar um ambiente disruptivo, condicionar perceções, fabricar suspeitas e reduzir o FC Porto à caricatura que lhes parece conveniente.

 

E o contraste com a realidade é, no mínimo, revelador. Nos dias seguintes a estas patéticas intervenções, vieram a público episódios que deveriam mobilizar a consciência coletiva da sociedade e do futebol português e que, ainda assim, receberam um tratamento muitas vezes tímido, seletivo ou convenientemente ignorado.

 

Ora vejamos:

 

– Um clube negou a entrada a um jornalista para cobertura de um jogo no seu pavilhão, violando uma série de princípios básicos de liberdade de imprensa e acesso à informação;

 

– Um capitão de um clube pontapeou um adversário na cabeça, num ato de selvajaria, com as imagens desse lance a desaparecerem de forma enigmática;

 

– Um treinador de um clube lançou uma garrafa de água contra adeptos do FC Porto, depois de um jogador desse mesmo clube a ter lançado para o terreno de jogo a contestar uma decisão arbitral e obrigando à interrupção do mesmo;

 

– Dois jogadores do FC Porto foram alvo de um ataque racista num pavilhão de um clube;

 

– Um dos maiores grupos de media do país viu dois dos seus jornalistas serem alvo de ataques intimidatórios e persecutórios e vítimas de agressão psicológica por parte de adeptos de um clube que cortou relações com esse grupo;

 

– Cento e vinte e três adeptos de dois clubes foram detidos após confrontos entre si, causando pânico a pessoas e crianças num episódio de agitação social no centro de Lisboa, desconhecendo-se qualquer reação por parte dos dirigentes desses clubes ao sucedido, sete meses após sete adeptos de um clube serem acusados pelo Ministério Público de tentativa de homicídio a adeptos do FC Porto;

 

O FC Porto não pede privilégios. O FC Porto pede critérios. Pede coerência. Pede responsabilidade. E pede, acima de tudo, que a justiça desportiva e a credibilidade do jogo sejam defendidas com a mesma energia.

 

– E, por fim, a forma como um caso internacional envolvendo insultos racistas acabou por expor a nu alguns ‘pensadores’ e ‘especialistas’ incapazes de distinguir o valor da vida humana da clubite aguda de que sofrem, chegando ao ponto de recomendar a mentira para evitar males maiores para o seu clube.

 

Isto não é ‘só desporto’. Isto é falta de cultura, ética, moral e de civismo. É o nível de hipocrisia reinante que se instala quando se domina o espaço mediático e quando se é incapaz de distinguir fanatismo de direitos humanos, ou o dever de informar do direito de acesso à informação.

 

E é precisamente por termos consciência desta dimensão que o FC Porto não se cala, preferindo apontar o dedo e expor os oportunistas, os falsos moralistas, os hipócritas e as suas agendas mediaticamente ‘sponsorizadas’.

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